Medida foi tomada após críticas a um show de uma drag queen que vestia trajes em alusão à Ku Klux Klan em uma festa ligada à Parada; organização diz que vem sendo alvo de ataques.

A organização da 13ª Parada LGBTQI de Piracicaba adiou a realização do evento, que seria realizado neste domingo (10), para o dia 8 de dezembro.

A medida foi anunciada nesta sexta-feira (8), após a performance de uma drag queen em um evento ligado à Parada ser alvo de polêmica nas redes sociais.

Na apresentação, a drag usou vestimentas que faziam alusão ao grupo extremista Ku Klux Klan e simulava beber o sangue de uma boneca negra.

Devido à repercussão do caso, a cantora Urias já havia cancelado o show que realizaria na Parada. "Em reunião com os agentes de segurança pública que garantem a seguridade do evento (Polícia Militar, Guarda Civil Municipal, Semuttran e Samu) bem como outros órgãos da Prefeitura Municipal de Piracicaba decidimos adiar a realização da 13ª Parada LGBTQI de Piracicaba para o dia 8 de dezembro, domingo, por conta das constantes ameaças que estamos recebendo, a fim de garantir a segurança da população LGBTQI presente no evento.

Tanto a Polícia Militar quanto a Guarda Civil foram enfáticas no sentido de propor a alteração de data para evitar que qualquer incidente negativo pudessem decorrer", divulgou em nota a organização do evento. Cantora Urias cancela show em Piracicaba após performance de drag queen fazer alusão à Ku Klux Klan Reprodução/Instagram A festa na qual ocorreu a performance aconteceu em 26 de outubro, era voltada ao público LGBT e tinha temática de Halloween.

A drag queen foi vestida com roupas brancas semelhantes ao grupo Ku Klux Klan (KKK), que é a junção de três movimentos dos Estados Unidos que defendem correntes extremistas, como a supremacia branca. Depois de 10 dias da festa, na última terça-feira (5), outra drag queen fez uma publicação no Facebook cobrando um posicionamento da ONG responsável pela organização.

A postagem ganhou repercussão e internautas começaram a criticar a performance e a roupa usada nela. Cantora Urias cancela show em Piracicaba após performance de drag queen fazer alusão à Ku Klux Klan Reprodução/Facebook Por conta da polêmica da postagem, a ONG publicou em sua página uma primeira nota de esclarecimento na qual diz que não sabia do conteúdo da apresentação.

"Primeiramente, nós não solicitamos previamente que as artistas que se apresentam em nossas festas nos informem sobre o conteúdo das performances, pois acreditamos que todas as artistas envolvidas, sejam drags ou DJs, entendem que não devem apresentar conteúdos discriminatórios contra nenhuma minoria ou qualquer outro grupo em nossos eventos e nenhum outro", diz trecho do texto. Além disso, o documento cita que a drag queen responsável pela performance não fará mais parte do elenco da Parada LGBT por não agir "de acordo com os valores da instituição e do evento." A ONG disse ainda que não compactua com qualquer prática discriminatória. Na nota na qual comunica o adiamento, divulgada nesta sexta-feira, a entidade diz que vem sofrendo uma série de ataques virtuais motivados pela repercussão negativa da performance.

"Entendemos a gravidade da situação e deixamos claro que em momento algum quisemos causar indignação, nem sofrimento para os presentes ou quaisquer outras pessoas envolvidas", aponta. Performance Um dos fatores mais criticados pelos internautas, além da roupa, foi a performance.

Uma foto em que a drag queen simulava beber o sangue de uma boneca negra foi compartilhada centenas de vezes.

A drag concedeu entrevista ao G1 sem se identificar e explicou o contexto da apresentação.

"Não sou racista e não fiz minha performance baseada em cima do racismo ou quis fazer apologia ao mesmo como estão me acusando em vários posts, comentários e compartilhamentos.

O uso do figurino do KKK como fantasia, sim, eu errei, pequei demais, porém, eu não me aprofundei na história do KKK [...].

Se eu tivesse me aprofundado eu não teria usado, justamente por ser algo que causou tanto sofrimento a uma minoria, à minoria negra", afirma.

Sobre o teor da performance, ela detalha que se tratava de uma história que culmina com o apocalipse.

"A performance começa explicando que muito antes da existência da humanidade um poder maior governava a terra e aí, na noite da performance, o portal do inferno seria aberto pela primeira vez", explica.

O ato de beber o sangue da boneca estaria ligado a esse contexto, segundo ela. Sobre a boneca, diz que foi a mais barata que encontrou e que não a escolheu pela cor.

E acrescentou que a escolha não tem conexão com as vestes da Ku Klux Klan que usou. Ela ainda explicou que durante o evento não foi abordada nenhuma vez por conta da roupa que vestia, nem pelo público, nem pela organização.

E que, durante a performance, retirou o capuz da cabeça.

Disse, ainda, que não imaginou que podia gerar tanta repercussão e que recebeu ameaças de agressão e morte pelas redes sociais depois da repercussão.

Cantora Urias cancela show em Piracicaba após performance de drag queen fazer alusão à Ku Klux Klan Reprodução Conepir Depois da polêmica, o Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Piracicaba (Conepir) divulgou uma nota dizendo que, juntamente com o Centro de Documentação Política e Cultura Negra de Piracicaba (CDPCNP), formula as documentações para encaminhar uma denúncia para a Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania. "Lamentamos profundamente que esta entidade que tantos serviços têm prestado à cidade [a ONG], tenha permitido que em uma de suas festas isso tenha acontecido sem uma intervenção imediata", finaliza a nota. Veja mais notícias da região no G1 Piracicaba